Balas & Barbaridades
O Thiago Oliveira, amigo e parceiro de algumas histórias em quadrinhos que escrevi com muito gosto anos atrás, publicou duas de nossas produções em sua galeria no Deviantart:
Ambas foram paridas na época que participávamos da NAPALM!, um grupo de quadrinhistas com sede aqui em Maceió.
Urbana Bárbara: Servir e Proteger, 8 págs., foi um tipo de hq-piloto - nossa idéia era produzir uma série com a personagem, e a história em questão surgiu para fazer as vezes de prévia do título.
Chegamos, inclusive, a cogitar a possibilidade de enviar o material para a Tokyo Pop, mas acabou miando. Não sei se retomaria - ou se Thiago e eu teríamos como retomar - o projeto hoje. Com certeza, a abordagem seria completamente diferente.
Já Balas voam, corações morrem foi produzida às pressas para uma edição do festival de quadrinhos de Teresina, anos atrás. O festival atrasou uns meses, e ficamos sem saber se a história havia sido contemplada no concurso de hqs ou mesmo se havia sido selecionada para algum tipo de exibição no evento. Não faturamos prêmio algum, mas lembro de um conhecido falar que viu a história por lá. Nunca saberemos ao certo.
A protagonista de Balas… quase ganhou um projeto de série própria também. Mas o desenho ficaria a cargo do Luciano Kars, camarada com quem não falo há um bom tempo.
Curiosidade: pensei na história a partir de um desenho da futura protagonista de uma arte que o Thiago carregava na pasta de desenhos dele na época. Eu vivia dizendo: “Guarda esse desenho que um dia vou escrever algo com essa mulher.”
E em breve, no site da Quadrinhópole, vocês poderão ler outra parceria minha e do Thiago: Invisíveis, estrelada pelo mago-maneta Nash. Pelo menos, foi o que o Leonardo Melo, editor, disse que faria por e-mail. Qualquer coisa, cobrem-no.
Enquanto isso não acontece, vocês podem conferir os “extras do dvd” no Deviantart do Thiago, que postou as três primeiras páginas de uma outra versão para a história que saiu na Quadrinhópole #1, e que nem chegou a ser concluída.
março 10, 2008 2 Comments
Os cinco plots mais idiotas do Homem-Aranha
Mais uma colaboração pro Universo HQ a pedido do meu camarada Marcus Ramone. Divirtam-se.
janeiro 24, 2008 2 Comments
Citação estimulante do dia para escrever
“Não escreva o que você sabe. Escreva o tipo de merda que gostaria de ler.”
Compartilhado pelo Jason Aaron, escritor de quadrinhos, em entrevista ao Newsarama.
A propósito disso, há uma nota em português sobre Aaron e o motivo para a entrevista em questão no UHQ escrita por mim.
janeiro 21, 2008 No Comments
Na surdina é mais gostoso
2007 foi um ano de prometer muito e cumprir pouco no que diz respeito as minhas histórias em quadrinhos. O que não significa que foi um ano de produção zero: há quatro edições do meu webcomic BIT HUNTER GIRL, em parceria com o xará Pablo Peixoto, escritas e ilustradas (o que dá dois meses de atualizações ininterruptas); Céus de Fênix, um roteiro escrito há mais de um ano, finalmente está nas mãos de um grande desenhista, com quem eu nunca trabalhei; e Eye Gnat’s Season (Temporada Macabra, em português), hq de horror criada para uma antologia gringa e que acabou ficando de fora, está quase sendo finalizada pelo Felipe.
Tudo se resume, na verdade, a problemas de organização pessoal e da falta de tempo mesmo.
Se bem que 2008 começou com o pé direito. Entreguei, esta semana, a primeira versão do roteiro para um projeto virtual com o qual, Felipe e eu, nos comprometemos no final do ano passado. Uma segunda versão, que terá algumas alterações/acréscimos sugeridas pelo editor, será entregue em breve. É um script consistente, trabalhado em cima de uma proposta definida e que me deu muito gosto em escrever. Mas, como qualquer outro roteiro, finalizá-lo é apenas cinqüenta porcento da graça em produzir uma história em quadrinhos; os outros cinqüenta vem quando as páginas entram na jogada.
Rock ‘n’ Roll All Nite, a hq em questão, será publicada no primeiro semestre de 2008.
Mas as novidades não param por aí: Terra do Nunca Love Song Five, hq em parceria com o Felipe, agraciada com a Menção Honrosa na categoria Melhor Fanzine do Troféu Alfaiataria, ganhará uma versão Director’s Cut. Além de páginas extras, alguns quadros foram redesenhados pelo Sr. Cunha para a nova encarnação da história — e que, se nosso plano caminhar como esperado, deverá integrar um projeto especial e, até o momento, independente.
BIT HUNTER GIRL terá seu destino definido semana que vem, quando anuncio oficialmente sua data de estréia.
2008 é o ano de colocar a banda na rua e fazer barulho.
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As imagens que ilustram este post são das novas páginas das hqs Eye Gnat’s Season e Terra do Nunca Love Song Five, publicadas pelo Felipe no Filosofia Ilustrada.
janeiro 18, 2008 1 Comment
Os 50 Melhores Quadrinhos de 2007
Dirk Deppey, responsável pelo blog norte-americano sobre quadrinhos Journalista e um dos editores da revista do mesmo segmento The Comics Journal, elegeu as cinqüenta melhores histórias em quadrinhos publicadas em 2007.
A lista, composta por quadrinhos dos mais variados estilos, é bastante interessante. Nela, você encontra o que Deppey considerou de melhor no que diz respeito a super-heróis, indie books, graphic novels, mangás, banda desenhada - tenham sido publicados em papel ou não, o que, para mim, foi outro atrativo. Por isso, não estranhe se topar com webcomics ou mesmo scans de gibis que nem sequer estão sendo licenciados para o mercado do Tio Sam no momento.
Das publicações elencadas, algumas batem com meu gosto, como All Star Superman #9 e What a wonderful world. Preciso correr atrás de um bocado de outras que me chamaram a atenção.
Este ano eu não fiz a minha lista, já que não li tantos gibis quanto gostaria - e nem mesmo realizei uma catalogação adequada para fazer uma top top bacana. Mas a lista de 2006 tem muita coisa boa que (ainda) pode ser encontrada nas melhores lojas especializadas e livrarias.
janeiro 11, 2008 No Comments
Virgindade Americana
Steven T. Seagle nunca foi um nome forte no mainstream da indústria norte-americana de quadrinhos. Traduzindo: nos gibis de Super-Heróis. Com exceção, é claro, de sua rápida passagem numa das séries dos X-Men, conturbada pelas freqüentes interferências editorias, e em doze edições da revista do Homem-de-Aço Superman, acho, não muito lembrada pelos leitores. O trabalho de Seagle, aquele que dizem ter qualidade, sempre foi apontado nos publicados sob o selo adulto da DC Comics, a Vertigo.
Em março, mais uma série assinada por ele volta a sair com o selo da Vertigo num canto da capa. É a pretensa American Virgin. Pretensa por, mesmo antes de cair no gosto da audiência, ser equiparada por seu criador/escritor a séries já consagradas. Nas palavras de Seagle, “American Virgin vai fazer pelo ritual sexual global o que Hellblazer fez pela demonologia, ou pelo que Preacher fez pelo humor grotesco.” Apesar do salto alto, a proposta de Seagle tem coragem em sua composição.
Isso, de algum modo, pode ser constatado ao se ler a primeira edição.
Adam Chamberlain é o filho que toda mãe cristã fervorosa gostaria de ter: sua devoção ao sexo só depois do casamento abençoado pelo Senhor o fez se tornar autor de um best-seller sobre castidade. “Save Yourself to save yourself” é o nome do tal livro. E as coisas não aconteceram a Adam só por sorte ou um super-plano de marketing. O rapaz tem carisma. Ele sabe usar as palavras. E acredita piamente no que está dizendo.
Pelo menos, no começo…
Seagle não comete erros nesta edição de estréia. De verdade. Se cometeu, acabei não notando. Estive mais atento aos seus tremendos acertos: Narrativa e diálogos combinando harmoniosamente. E que diálogos legais, viu? Que funcionaram por completo graças a fera da Becky Cloonan. Se você é o típico leitor médio de super-heróis, não sabe quem ela é ou de onde veio. Pois saiba que Becky entende do riscado dos quadrinhos, e seu trabalho mais festejado é o excelente quadrinho indie DEMO, escrito pelo ótimo Brian Wood. Misturando características de fisionomia do Mangá, bem de leve, com um traço forte e escuro, Cloonan alterna entre o limpo e o sujo como um choque elétrico. Impossível não ficar sensibilizado e horrorizado com o estado de Adam ao final da edição, quando o mundo o chuta violentamente no saco e dá início a uma série de questionamentos que veremos ao longo da série. A capa provocativa é de um dos atuais gênios da Nona Arte: Frank Quitely (The Authority, All Star Superman).
Segundo Seagle, American Virgin, basicamente, trata sobre a primeira vez. Não. Não uma primeira vez, corrigindo. Mas várias delas, em diferentes situações. A idéia é colocar Adam confrontando todas elas a medida que a história avança. No final, parece que tudo reside em reflexão e evolução.
Quero continuar acompanhando e ver no que vai dar.
março 24, 2006 No Comments