Sobre o autor

Descobri o gosto por escrever dos 17 para os 18 anos. A aparente maturidade de pensamento definiu na minha personalidade que eu não gostava tanto assim de desenhar: coisa que fazia desde molequinho, principalmente nos fins de semanas passados no apartamento dos meus avós maternos. Demorou para cair a ficha, mas descobri em tempo - bem antes, percebi que não levava jeito para culinária, apesar da minha avó me deixar brincando com uma panela e uma colher de pau quando ela ia tirar seu cochilo de lei depois do almoço. Fui criado por meus pais e, nas férias, pelos meus avós. E pela televisão. Infelizmente, não lembro de boa parte das coisas que assisti nos anos 80, quando nasci. Do final deles para os 90 em diante, tudo mudou de figura. Eu não perdia um episódio de Anjos da Lei, McGyver e Barrados no Baile; meu pai, fanático por seriados naqueles tempos, sempre estava ao meu lado. Foi na coleção de discos de vinil dele que, aos 14 anos, formei boa parte do meu gosto musical. Da coleção, que hoje não existe mais, só sobraram os dois primeiros ao vivos do KISS, minha banda preferida, guardados em algum lugar da nossa casa.

Dois anos antes, eu comecei a comprar revistas em quadrinhos. A merda estava feita.

Cresci me achando desenhista, mas nunca pratiquei a sério a ponto de me profissionalizar. Fazia uma pin-up aqui e acolá, me perdendo em seguida na história por trás daquele desenho, do personagem. De que planeta veio, se possuía algum poder, será que havia algum interesse romântico em seu caminho? Com esse talento falsamente estimulado por mim, concluí o ensino médio e parti para dois vestibulares mal-sucedidos de Arquitetura na universidade federal. Perdi na segunda fase por não saber porcaria alguma de matemática e física. Numa das provas de redação, ao contrário, fiquei a quatro pontos de obter a nota máxima. Percebi que algo estava errado na realidade.

Comecei a escrever depois disso. No meu terceiro vestibular, optei por Jornalismo e perdi, novamente, na segunda fase. Nesse meio tempo, montei um site de fan fictions com um bocado de gente espalhada pelo resto do país, que se chamava Universo Paralelo. Durou quase três anos e foi o segundo do gênero na web tupiniquim a popularizar esse gênero marginal de ficção utilizando super-heróis de quadrinhos norte-americanos. Além de integrar o staff de escritores, atuei como editor-chefe (pff) e produtor ($) da empreitada. “Aprendi” a escrever prosa de modo decente com o projeto, fiz amizades que duram até hoje e dele pulei para as histórias em quadrinhos.

Fui então aliciado para participar da NAPALM! Comics, coletivo de artistas alagoanos que tinha como intuito produzir histórias em quadrinhos novas, interessantes e de qualidade. Assim como no Universo Paralelo, estabeleci laços de amizades que duram até hoje e fui além: por causa do projeto, integrei o Arranjo Produtivo Local de Cultura capetaneado pelo Sebrae de Alagoas, com foco no bairro histórico de Jaraguá, em Maceió. Graças a ele, fui duas vezes para o Festival Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte, nas edições de 2003 e 2005, e para o Mercado Cultural em Salvador, Bahia, também em 2005.

A NAPALM!, que transformou-se num projeto da Incubadora Cultural do mesmo Sebrae Alagoas, publicou em seu extinto site diversas das minhas hq’s produzidas até então e possibilitou o surgimento de contatos e parcerias com outros artistas. Com o fim da empreitada, tomei meu rumo. Continuei a escrever meus quadrinhos e publicando-o como fanzines ou através de publicações independentes: Terra do Nunca Love Song Five, em parceria com Felipe Cunha, é, até o momento, o mais conhecido deles; ganhou, inclusive, Menção Honrosa no Troféu Alfaiataria de Fanzines de 2007 promovido pelo site PopBalões. Outras publicações de destaque incluem a one-shoot Invisíveis, encontrada nas páginas da edição de estréia da revista independente Quadrinhópole, e a hq de uma página One Year Later…?, inclusa na antologia britânica de caridade Just One Page.

Além de me meter com quadrinhos, divido meu tempo na produção de textos para este blog, o Café-da-manhã dos Campeões. Título em homenagem ao escritor norte-americano Kurt Vonnegut, falecido em 2007, e a um dos seus romances de sucesso de mesmo nome. Nunca havia ouvido falar do autor até o anúncio de sua morte. As breves descrições que li sobre sua pessoa e produção literária me fizeram buscar por suas obras. Café-da-manhã dos Campeões, ou no título variante Adeus segunda-feira blues, misto de ficção científica, fantástica, drama, humor e crítica social me ganhou de cara. O modo como Vonnegut manejou diversos temas dentro de uma única linha narrativa bateu com várias das minhas crenças como escritor - e, eventualmente, blogueiro.

Prosa do Mal foi o meu primeiro blog. Ele teve cerca de três caras diferentes utilizando a plataforma fornecida pelo Blogger/Blogspot. O nome não possuía nenhum grande significado; era apenas sonoro aos meus ouvidos. Nele, postei contos, disponibilizei os fanzines que eu distribui gratuitamente nos meus tempos de cursinho e de um semestre de Jornalismo, comecei a afinar a minha veia crônica e compilei popismos e bizarrices afins. Eu largava e voltava pro blog, o que acabou minando a minha presença online, como diriam alguns especialistas da área blogueira.

Em sua quarta e última versão, o Prosa do Mal estava muito bem instalado no Blogsome, servidor de hospedagem gratuito que utiliza uma versão “simplificada” do Wordpress. Em um ano de vida na nova plataforma, ele possibilitou que eu entrasse em contato com gente bacana, e que esse pessoal pudesse conhecer os meus textos: me transformei num cronista de mão cheia, dadas as devidas proporções e deixando de lado a humildade; resenhei uma boa quantidade de filmes e gibis; compilei mais coisas do meu interesse; e entrei no hype da Sheyla de Almeida, a mulher mais siliconada do país que se tornou a musa do blog.

Quando soube da existência de Vonnegut (ironicamente) após a sua morte e li por inteiro o romance Café-da-manhã dos Campeões, percebi que estava na hora de mudar as coisas.

A url permaneceu a mesma, mas o formato e o visual mudaram. Ex-Prosa do Mal agora Café-da-manhã dos Campeões se configurou como um blog de conteúdo autoral: crônicas, ensaios, resenhismos e bobagens prosadas. Nada de compilação diária de notícias e fofocas. As atualizações tornaram mais cadenciadas, focadas. O esmero na produção foi elevado. Tudo é assunto, desde que eu me disponha a escrevê-lo da melhor maneira possível. Como fez Vonnegut no romance que emprestou seu título ao blog, com direito a toda ironia, humor (negro), técnicas de narração ficcionistas… tudo isso.

Este é o Café-da-manhã dos Campeões, o seu desejum virtual diário; e eu, o sujeito por trás do teclado, apertando as teclas e dando Enter. Enquanto eu fumo meu cigarro de palha, procuro por coisas estranhas e observo o mundo, além de manter um olho nas peitolas da Sheyla de Almeida, você lerá o que eu produzo aqui. Minha casa, meu diário pervertido. Contra-indicado para os chatos de costume e analfabetos internéticos funcionais.

Adeus, segunda-feira blues!

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Publicado em 24/10/2007, podendo ser atualizado/alterado a qualquer instante.