Preto, a ausência (de cor)
outubro 9th, 2008As eleições mal acabaram de ser realizadas e já teve autoridade não cumprindo promessa de campanha. A ironia está no fato de que não se trata de uma figura política: ao final de maio deste ano, o Sr. Zulu Araújo, presidente da Fundação Palmares, garantiu que no dia 1º de junho o Parque Memorial Quilombo dos Palmares estaria funcionando a todo vapor.
Meses depois, há quantas anda a situação na Serra da Barriga?
Segundo reportagem veiculada ontem a noite no AL TV 2ª Edição, da TV Gazeta, o Parque continua basicamente do mesmo modo desde a data acertada pelo Sr. Zulu Araújo.
De progresso, apenas a realização da licitação para decidir quem desenvolveria as atividades culturais no Memorial. Uma ONG de Brasília foi a vencedora, embolsando 2 Milhões de Reais — boa parte da verba foi concedida pelo governo federal — para a realização de um projeto, com duração de 10 meses, que promoveria shows mensais, visitações de estudantes de escolas públicas e cursos profissionalizantes para moradores da Serra da Barriga e do entorno. Disto, apenas alguns dos cursos foram realizados.
Representantes do Movimento Negro sediado em União, na entrevista do telejornal, afirmaram que as atividades foram interrompidas, como medida de segurança para os visitantes, devido as fortes chuvas no período do inverno. Eles esclareceram que ao final de outubro os shows e visitações devem ser retomados, assim como as oficinas.
Restando pouco mais de um mês para os eventos da Semana da Consciência Negra em União dos Palmares, espera-se mesmo que o maior dos monumentos à figura do negro em Alagoas — e do próprio país — esteja, enfim, operacionalmente funcionando. Seja para justificar todo o dinheiro investido ou mesmo para que se ateste que algo envolvendo o negro funciona fora da Bahia também. E isso, numa terra de coronéis brancos, se mostraria um senhor avanço.