Mudanças de efeito placebo?
outubro 1st, 2008Eleições à vista no próximo domingo, 5 de outubro, e a vaga para o cargo de gestor da cidade de Maceió está basicamente garantida para o atual prefeito Cícero Almeida. E não é à toa. Homem de origem humilde, daqueles de fé explícita a Deus e alguns punhados de santos e santas, foi subindo na vida e, quando todos se deram conta, fora eleito prefeito da capital de Alagoas.
Lembro do Cícero repórter — e, pelo que sei, sem diploma — do noticiário polialesco Plantão Alagoas, um dos pioneiros nesse estilo na TV do estado, e apresentado então pelo hoje deputado estadual e ainda host de um programa similar, em outra emissora, Jeferson Morais. Almeida, nessa época, já atuava também no rádio. Quando eleito vereador e, posteriormente, deputado estadual, ambos os cargos alcançados com imensa quantidade de votos, ele foi deixando de lado o microfone da TV e manteve-se apenas nas ondas FM. Virou o prefeito forrozeiro e chegou a dar as caras no Jô Soares por isso.
Cícero Almeida realizou, nesse primeiro mandato, obras de cunho estrutural: calçou ruas na periferia, tascou viadutos em áreas de classe média e está finalizando a maquiagem na orla da capital. Pode ter feito outras coisas, mas o fácil de catar na mídia foram essas ações. De resto, teve lá seus deslizes. Para a grande massa que tem nele a figura de um prefeito digno e que surpreendeu a todos isso pouco interessa pelo que indicam as pesquisas — o homem está com 80% do povo ao seu lado.
Mas não foram deslizes qualquer.
Maceió está sem receber recursos do governo federal para a área de ação social por irregularidades no uso da verba repassada. Cinco secretários passaram pela pasta e nada se resolveu. Um deles, Cláudio Farias, deixou o cargo denunciando José Aremilton, amigo particular do prefeito, sobre um esquema de desvio do dinheiro.
Nesta semana, Almeida levou outra pedrada: foi indiciado oficialmente na Operação Taturana, ação comandada pela Polícia Federal e que teve início em dezembro de 2007, por crimes de peculato, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Segundo o delegado Janderlyer Gomes, que preside o inquérito, garante que os crimes foram cometidos. Na boca miúda de parte da população, há tempos se comenta do enriquecimento ilícito de Cícero; algo obtido ao lado de outros políticos e lançando mão de diversos laranjas. Fala-se, por exemplo, de propriedades de milhões, como fazendas, que alguém com o salário do comandante de Maceió não teria condições de adquirir. “Basta andar nas ruas para ver a disparidade entre o que um indiciado recebe, por exemplo, e o seu patrimônio”, declarou Gomes.
O indiciamento de Cícero Almeida é apenas um dos muitos outros movidos contra políticos, seja na esfera municipal e, principalmente, estadual. Desde o início da Operação Taturana, Alagoas tem visto um trabalho de moralização da vida política e social como ninguém podia imaginar. Não se considerando o histórico do estado, conhecido como terra da pistolagem. Políticos com fama de coronéis, assassinos e senhores da vida alheia começaram a cair e tiveram sua pose jogada aos porcos. Vibrou a população, sentindo uma vibe de mudança.
Ainda assim, mesmo com as renovadas polícias Federal e Civil, a filosofia do “rouba mas faz” vigora entre a massa. A aprovação de 80% de Cícero Almeida é prova disso. Mas, conforme a citada corrente filosófica, o prefeito fez sim coisas benéficas — e que são de seu dever! — para com os cidadãos de Maceió. Se ele ficou com unzinho a mais de obras possivelmente superfaturadas, deixa pra lá, certo? O que importa é que a sua e a minha ruas estão calçadas com paralelepípedos.
A população reclama da demora na apuração e execução dos processos referentes a Taturana, mas não deixa de ser conivente às vésperas de mais uma eleição. O que inclui a própria classe média, que vive na bolha que é Maceió, a casa grande que fecha os olhos para a senzala que é o interior do estado. Espera-se, claro, que a Federal e Civil consigam dar cabo de suas ações, mesmo com as pressões que têm acontecido na esfera política — aqui e em Brasília —; que a população descruze os braços, perceba que Jesus não vai descer de helicóptero dos Céus e Cícero Almeida pode ser um reflexo bem aparentado de (suas) velhas e nocivas alianças políticas.
outubro 1st, 2008 at 8:24 pm
É véio, há algo diferente no mundo hoje.
Porém no interior, mais precisamente em Estrela de Alagoas, como falou o Superintendente a Policia Federal não com essas palavras: ‘Ainda impera a pistolagem moleque, a pistolagem amor a camisa, a pistolagem com 2 pontas avançados, ou seriam dois capangas bem armados?’
Ângela Garrote que o diga! Uiiii!!!!
outubro 2nd, 2008 at 12:04 am
pior é pensar que essas operações de nomes animalescos nunca dão em nada. e continua o ciclo rouba-mas-faz, com a população aplaudindo.