A Favorita de quem?
agosto 6th, 2008 • TV
Eu não sei se me enquadro no público-alvo das novelas da Globo. Se entro em alguma estatística, seria num gráfico de telespectadores periféricos desse tipo de programação. O que me desqualifica para efeitos de registro nas outras emissoras. A Record evoluiu, claro, mas ainda está em processo de emulação da principal concorrente; quando tenta fugir do esquemão e “ousar”, temos Caminhos-do-Coração-Mutantes-chupados-de-Heroes-e-X-Men. SBT e Band são piadas prontas quando o assunto é novela. (Dance, dance?!)
Puxando pela memória, lembro de assistir com certa irregularidade algumas novelas das Seis com minha mãe, quando ainda morava com meus pais e não trabalhava. A Globo sempre teve competência para criar toda aquela ambientação de épocas passadas e, por mais que fossem histórias batidas ou simplesmente remakes (se Hollywood pode, né?), certos atores e/ou atrizes se destacavam em seus papéis e nos deram minutos divertidos na frente da telinha.
Sempre me senti mais a vontade nas da Sete: o negócio aqui é aventura e humor. Em certos casos, a despretensão foi tamanha que algumas realmente estão guardadas na minha mente como boas memórias. Quatro por Quatro foi divertida, pelo que me lembro. Kubanacan, do Carlos Lombardi, foi um clássico pra mim. Quer dizer: até para a própria Globo, que estendeu a novela enquanto pôde, fazendo a trama se desgastar em determinado ponto. Mas quem não se lembra daquele episódio final fantástico? Não falo da porcaria do tapa na personagem da Danielle Winits. Me refiro ao fato de que o personagem do Marcos Pasquim voltou ao passado e, pelo fato de estar desmemoriado devido a viagem, comeu a mãe e a tia. Só não engravidou a mãe de si mesmo (!) porque o pai, nunca única noite que apareceu e carcou a Carolina Ferraz, a embuchou dele (!). E o grande público simplesmente não se tocou disso!
Outra novela que tinha tudo para fugir dos padrões e ter sido a sucessora de Kubanacan foi Bang, Bang. Não agradou logo de cara e os roteiros não ajudaram. Eu curtia o conceito. Não era a norte-americanização da novela pelo fato de usarem o velho oeste como alicerce, como acharam, mas uma paródia do gênero e tupiquinização da coisa. Era tudo uma grande piada de ação. Só foi mal contada.
Só não consegui acordo com nenhuma novela das Oito. Todas que lembro eram ridículas no plot principal e idiotas na hora de comentar sobre questões contemporâneas. E as lésbicas soterradas pelo shopping sabotado porque o público não simpatizou com as personagens? E o beijo gay, que até hoje, nada? Não dá para levar as produções sérias do horário a sério.
Devo dizer, no entanto, que A Favorita me impressionou.
Não a acompanho desde o início e as informações que soube não me diziam nada. Na verdade, parecia tudo batido para gerar qualquer interesse. Nas últimas semanas, estranhamente, acompanhei a Ana de longe enquanto ela assistia a novela — que não pareceu melhorar agora que eu estava vendo do que se tratava. E quando Ana me contou que as duas protagonistas foram uma dupla sertaneja de sucesso no passado, aí que a coisa não tinha mais salvação mesmo.
O episódio de hoje (05 de agosto) mudou um tanto minha opinião.
Flora, a aparente mocinha, que vinha se revelando não tão mocinha assim, foi confirmada como a verdadeira assassina do marido de sua rival, Donatela. Apesar da cena em flashback ter sido de uma trapalhada tremenda e <comentário mulherzinha> do pica doce do Marcelo ter um anzol no lugar do nariz </comentário mulherzinha>, a seqüência no presente foi tensa e, dadas as devidas limitações, com diálogos nem tão forçados. E, acima de tudo, acabou com a segurança do expectador médio da Globo: e agora? Se uma mulher com o rosto de anjo da Patrícia Pilar é uma assassina vingativa e maquiavélica, uma Coringa, uma Joker, uma Palhaça (alusão decorrente a uma twittada da Flávia), com quem a audiência vai se identificar?
Um passo arriscado, com certeza. Mas positivo se considerando a mesmice que tomou a produção novelesca da Globo há tempos. Resta saber se o povão irá continuar a acompanhar a história depois da reviravolta. Fica também outra questão: como será a abordagem à Patrícia Pilar quando ela for a padaria, comprar pão? Hm, sei não.
8 Responses (Add Your Comment)
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Que mau gosto para alguém gostar de novela das sete.
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Corrigindo seu texto: elas eram uma dupla sertaneja, mas não disse que era “de sucesso”.
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Piorou, amor! Eram uma dupla sertaneja ruim!
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Rapaz, eu achei que essa novela seria boa e até me atrevi a acompanhar alguns capítulos, mas deu no saco já. Até Mariana Ximenes, de quem eu esperava mais, está fraquíssima - e perdida. La Raia então, nem se fala. E a personagem da Patrícia Pillar agora assumiu ares bipolares no melhor estilo dos vilões de Willem Dafoe. Reparou no olhar? Siameses, praticamente.
Mas entre a Fauna e a Flora, as minhas ‘Favoritas’ continuam sendo as do Maneco. E Mulheres de Areia e A Escrava Isaura (classicão, na reprise) são belas recordações de infância tb. Quem nunca cantou o lerê-lerê da abertura?
do pica doce do Marcelo ter um anzol no lugar do nariz -> sensacional, macho beta hahaha =P
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É, foi realmente inesperado:
- Um mistério que todos achavam que se arrastaria por mais algum tempo, foi revelado;
- A vilã não ficará louca no final da novela, como de costume. ELA JÁ É!
- Mesmo depois do flashback, todos ainda tinhamos alguma esperança que a Paty não fosse a vilã. Aí ela manda chumbo no Walmor Chagay e arrasa com qualquer expectativa nossa.É o FIM, acho.
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Danilo Valeta agosto 7, 2008at 9:44 pm
Eu sou o único por aqui que não vê novela? Nem TV aberta? Praticamente nem TV fechada???
E dupla sertaneja ruim é pleonasmo.
Agora lascou tudo, se a Flora é a assassina, a Fauna já estava perdida faz tempo. huahauhauahuahauauahuaahua!!!
Um clássico das antigas era ‘Perigosas Peruas’, Também de Carlos Lombardi, que mostrava um pouco do mundo da máfia, classe!!!!