O que você guarda na sua gaveta?

O sol do último sábado era daqueles de deixar o couro humano em tom crocante - o tipo que tudo quanto é turista pálido do sul quer conseguir quando dá as caras por aqui -; capaz, obviamente, de deixar nossas roupas mais pesadas graças ao suor vomitado aos montes pelos poros.

Ana e eu botamos nossos pés na rua lá pela 16 e 10 da tarde. Nosso destino já estava certo no mapa astral etílico do referido fim de semana: Botequim Paulista, lugar de caber na palma da mão, lá nas bandas da Amélia Rosa. O motivo: lançamento da segunda edição do fanzine Gaveta.

BRITÂNICOS

Eu, Ana, Carol e Ramiro O encontro estava marcado para as 16 horas. A Carla pediu uma postura britânica quanto ao horário. Mas alguém tinha que bancar o poser da história, e como precisei resolver umas pendengas antes do lançamento, Ana e eu acabamos chegando no Botequim lá pelas 16 e 20.

Para a nossa surpresa, não fomos nem de longe os descolados atrasados do lançamento: chegamos primeiro que todos e, ainda por cima, quando o bar estava sendo aberto. Maravilha.

Nos jogamos numa das mesas e pedimos uma gelada. Se lá pelas cinco ninguém desses as caras, bem, íamos embora. Paciência.

CONFRATERNIZAÇÃO

Não havíamos terminado a primeira garrafa quando, no horizonte (leia-se dobrando a esquina), vimos um pequeno bando se aproximar. Identifiquei, de cara, o Ramiro e Carol entre eles. Menos mal.

Nos cumprimentamos, saudamos a Carla (que só conhecíamos da virtualidade) e as convidadas que eles trouxeram. Colocamos mais uma mesa e outras cadeiras, pedimos mais copos e outra cerveja. Não demorou para que mais convidados chegassem. Inclusive a Larissa. Convidados do Gaveta

O lançamento da segunda edição do Gaveta passou das dez pessoas presentes, vejam só.

APAGÃO

Bebíamos, falávamos bobagens paralelamente, bebíamos mais e, vez por outra, comentávamos sobre quem ia para o show do Nando Reis, a rola naquela mesma noite. E bebíamos mais.

Até que, antes da noite cair de fato, ficou escuro de repente. De repente de fazer todo mundo levantar os braços e gritar êêêêê. Muita sorte faltar energia bem no meio daquela orgia alcoólica, e que meio servia de esquente para o show do Nando e os Infernais.

Da esquerda para direita: Eu, Ana e Carol, RamiroAlguns ligaram e descobriram que havia faltado energia na cidade toda. Que meda.

Com a previsão da luz voltar lá pelas duas da manhã e a possibilidade enorme do cancelamento do show, novas garrafas de cerveja chegavam à mesa numa velocidade ainda maior. E por que não?

Carla, Daniel, Ramiro e Larissa entornaram uma rodada de sagatiba (esse o nome daquele veneno, right?), enquanto Ana, eu e Carol estávamos satisfeitos em ficar com a loira fria e a cria de Piotr Smirnov, respectivamente.

Melhor prevenir e não misturar para depois não dar zica, né, Ramiro?

HAJA LUZ

Quando a luz voltou, lá pelas 20 - ou depois dela -, eu já não sabia quantos copos havia bebido. Cigarros devem ter sido uns 5. Hm, 6. 7 de palha, vai memória. O show do Nando Reis pareceu ser algo tangível novamente.

Ficamos mais um pouco. Já havíamos conversado bobagem, putaria, sobre o maníaco, drogas - o que levou a uma velhinha sem noção a se meter no meio do papo e clamar pelos bons costumes e a moral; Ana deu-lhe uma cortada que a véia foi buscar a dentadura em casa - e outras coisas.

Convidada, Carla, Daniel e LarissaPerto das 21, deixamos nossa colaboração para a conta, nos despedimos contentes e fomos embora.

O show do Nando não rolou (porque o hotel vizinho ao lugar da apresentação entrou com uma ação judicial, alegando poluição sonora, em cima da hora), eu fui dormir bêbado e sujo, vomitei lá pelas 5 da manhã, e só uma coisa ficou certa no meu domingo de ressaca:

O lançamento do Gaveta #2 foi um sucesso. Porque as pessoas fizeram acontecer.

* * *

As fotos que ilustram este post foram tiradas pela (ou com a máquina da) Larissa. Ela publicou mais algumas no seu fotolog aqui e aqui. O mesmo fizeram a Carla e o Ramiro. As demais fotos da Larissa estão no meu flickr.

Aproveite e leia Prensas, minha crônica publicada nessa edição do zine.



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Adeus, segunda-feira blues!

Desjejum variado, composto por porções de quadrinhos com acompanhamento de cinema e tv, doses de literatura e pedaços bem passados de crônicas, estas com pitadas consideráveis do cotidiano por vezes surreal numa cidade litorânea.

Deus Ex-machina

Pablo Casado teve como pano-de-fundo uma criação cosmopolita; depois, descobriu-se maceioense, alagoano. Escreve quadrinhos, fuma cigarro de palha e usa brincos.

Área compartilhada

O autor também pode ser encontrado colaborando com o blog de cultura pop Goma de Mascar; participando do coletivo de quadrinistas Quarto Mundo, do qual é co-fundador; escrevendo para o fanzine literário-alagoano Gaveta; e nos arquivos de notícias, resenhas, entrevistas e artigos do Universo HQ.