Tá brincando, né?

Sinceramente: quem é de fora acha que o povo de Alagoas eleger o Collor para qualquer coisa, até para sindico de condomínio, é um contra-senso – e é, mas a falta da combinação informação/discernimento não está ausente apenas no Paraíso das Águas. Paulo Maluf e Antonio Palocci lideram as pesquisas em São Paulo e a Folha manda um “enviado especial” para cobrir a situação política daqui. Não seria nada demais se não houvesse a velha tendenciosidade em nos ironizar pelo fato do Estado ter sido o berço de criação de obra tão collorida. E o problema aqui não é no arco-íris, mas no trinômio verde (grana), vermelho (sangue) e cinza (bala) de outros candidatos.

Mas o significado de ‘vergonha’ para um alagoano deve ganhar um novo sentido, sim, quando ele acorda de manhã e dá de cara com a Heloísa Helena no Bom Dia Brasil. Se numa das mãos ela carregasse um facão, a jugular da Miriam Leitão teria batido o novo recorde de arremesso de dardos. Esbaforida como o capeta em dia de labuta pesada no inferno, Helena faz questão de provar que ela é a Senhora Suprema da Verdade Absoluta. Ninguém entende mais do que ela as questões de se levar um governo adiante de modo justo e imparcial. Ela é a mão de Deus – porque só a mão de Deus deve ser capaz de impedir o aumento da inflação, mesmo quando uma analista econômica e o mundo parecem dizer que qualquer país pode ser vítima de tal mal. Resta saber se é a mesma mão que Deus usou para se masturbar e criar a Terra em sete dias de gozo quase que interminável.

O Ziraldo deve estar fazendo a maior piada de todas quando se mostra partidário do PSOL e da Heloísa. Sério. Porque já foi o meu tempo de acreditar na “garra” e “ferocidade” da Senadora contra as mazelas que atingem a sociedade brasileira. Hoje, eu imagino que alguém capaz de assumir o cargo mais importante na Federação precisa, antes de tudo, ser o filho da mãe mais frio possível – e não um(a) futuro(a) viciado(a) em calmantes e analgésicos.

Heloísa Helena só quer fazer barulho, só não se sabe o motivo. Porque, se ela realmente quisesse se tornar presidente um dia, deveria ter, primeiramente, se candidatado ao governo de Alagoas. Quer lugar mais corrupto e confuso que este conhecido como Terra da Pistolagem? Tudo bem, ainda estamos anos-luzes atrás do tráfico carioca e de um PCC paulista da vida. Mas o nosso tipo de mazela é antiga, arcaica. Aqui, os Senhores de Engenho ainda têm herdeiros. São gerações e mais gerações de coronéis sendo criados em laboratórios interioranos, aprendendo que uma pistola na mão de um capataz ainda é um tipo de Lei. Deveria ela ter se candidatado ao governo e realizar algo minimamente bom em quatro anos de mandato. Ou quem sabe em duas gestões. Afinal, não é assim que o Aécio, nosso provável próximo presidente, está trabalhando?

Heloísa Helena é uma caricatura descartada de algum episódio dos Simpsons que falava de um ditador sul-americano que nunca se elegeu. Talvez por ser uma piada tão óbvia e batida, foi descartada pelos roteiristas da série. Em algum lugar do espaço-tempo, esse arquétipo existia na vida real na forma da referida Senadora. Mais um constrangimento desnecessário. Ou quem sabe necessário, sendo um combustível para que, no futuro, ocorram mudanças não só no perfil corrupto de boa parte dos políticos, mas também no psicológico.



Leave a Reply

Formatting: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Other Entries

Adeus, segunda-feira blues!

Desjejum variado, composto por porções de quadrinhos com acompanhamento de cinema e tv, doses de literatura e pedaços bem passados de crônicas, estas com pitadas consideráveis do cotidiano por vezes surreal numa cidade litorânea.

Deus Ex-machina

Pablo Casado teve como pano-de-fundo uma criação cosmopolita; depois, descobriu-se maceioense, alagoano. Escreve quadrinhos, fuma cigarro de palha e usa brincos.

Área compartilhada

O autor também pode ser encontrado colaborando com o blog de cultura pop Goma de Mascar; participando do coletivo de quadrinistas Quarto Mundo, do qual é co-fundador; escrevendo para o fanzine literário-alagoano Gaveta; e nos arquivos de notícias, resenhas, entrevistas e artigos do Universo HQ.