É hoje!
julho 5, 2008 1 Comment
Pré-preview

Rascunho de uma das páginas de Rock ‘n’ Roll All Nite, para a Mojo Comix, pelas mãos do Felipe e com roteiro meu. Em breve, um making off sobre a hq, com mais rascunhos originais, que eu espero postar para celebrar a publicação da mesma (que também será para breve).
julho 4, 2008 1 Comment
Wall-E
Em um mundo no qual o sinônimo de globalização pode ser definido de modo raso como a presença virulenta da Coca-cola ou do McDonalds nas grandes as pequenas cidades, não se pode cogitar a possibilidade de que certas marcas sejam realmente capazes de constituir uma mensagem cosmopolita pura, de união entre diferentes povos. E o itálico ali utilizado aparece para tentar desfazer qualquer ar pedante que o início desta crítica possa ter ganho: porque estou me referindo a um produto de consumo que não termina em si mesmo, no simples ato de digestão. Centenas de filmes podem ser tão descartáveis e passageiros como um bom refrigerante, cujo gosto se desfaz depois de um apanhado de minutos; mas não Wall-E.
Não se pode rotular a mais nova produção da Pixar como uma mera animação infantil. Na verdade, ficam para os pequenos as cenas de humor físico e os magníficos trejeitos tão humanos dos robozinhos — e que não deixam de cativar adolescentes e adultos, é claro. O longa animado, no entanto, vai além, como muitas das produções da casa. Wall-E tem momentos de filme mudo, romance e ficção científica. E não são poucos ou mesmo condensados. Hoje, a propósito, o filme de Andrew Stanton entraria fácil numa lista particular das melhores produções sci-fi da Sétima Arte.
Na história, o robô que dá título a história passa seus dias fazendo aquilo para o que foi programado: limpar a Terra, atolada em poluição e incapaz de sustentar vida orgânica, para que os humanos, em “férias” no espaço, possam um dia reabitar o planeta. Minto: ele faz mais do que isso. Wall-E coleciona objetivos em sua morada, o interior da carcaça de um robô maior desativado, e assiste a antigos musicais num I-Pod. Sua única companhia, seu animal de estimação, é uma baratinha que faz as vezes do cão agitado do protagonista nos filmes-família convencionais. A rotina do nosso herói — e ele o é — muda com a chegada de EVA, uma robô mais avançada, em visita a Terra em busca de “algo”.
Procurando Nemo, o filme mais babado de Stanton até então, não me empolgou. Considero uma animação OK, com um ou outro ponto interessante e uma mensagem bonitinha, mas nada além disso. Wall-E, de certo modo, carrega parte da essência de Nemo em sua história; só que não se contenta em retratar sua mensagem, mesmo que clichê, de modo simplório ou meramente infantil. Trata-se de uma obra refinada, que ousou flertar com o piegas, buscou ser referencial e entrelaçou romance e ficção científica como poucas outras. Da mesma forma que Brad Bird, em Os Incríveis, fez mil vezes mais para o gênero dos super-heróis do que Tim Story com os dois Quartetos Fantásticos — comparação feita considerando-se as similaridades de conceito do primeiro com as histórias em quadrinhos dos quais o segundo foi baseado.
Se em seu âmago Wall-E é um confortável colchão de referências, na superfície é uma grande e bela mensagem universal, capaz de promover o mínimo de reflexão além das risadas e do entretenimento de mais alto nível. Considerando a quantidade de sujeira na sala de cinema depois do fim do filme, foi triste constatar que quase todos os presentes não se deram conta do que acabaram de assistir. Talvez, como no próprio longa, estejamos conectados apenas durante o divertido compartilhamento do gás de um refrigerante e diante de uma tela multicolorida.
O único questionamento que não consegui chegar a uma resposta, até agora, foi: será que a beleza em diversas formas de Wall-E é capaz de bater a superação genial de Ratatouille? Ou ambos merecem dividir o trono de melhores produções da Pixar hoje?
julho 1, 2008 8 Comments
Q de Questionável
Apenas eu notei ou a transmissão da final da Copa do Brasil ontem a noite na Globo, liderada pelo Cléber Machado, tomou partido do Corinthians? Assisti todo o primeiro tempo e o segundo a partir dos 30 minutos, e a equipe da emissora pareceu decepcionada quando o final do jogo foi apitado, consagrando o Sport campeão.
Já havia sido de mau gosto quando o time pernambucano marcou o primeiro gol, e o Machado afirmou que, até ali, a equipe paulista havia dominado a partida — posso não ser o maior conhecedor de futebol das redondezas, mas assisti a jogos e tenho afeição ao esporte suficientes para entender que um time que está se segurando o máximo na defesa é um conceito extremamente questionável.
Apesar do peso da camisa corinthiana, a pressão da torcida paulista no jogo em São Paulo e a confusão armada por eles em Recife antes do jogo, o Sport mostrou raça e qualidade para tomar a taça da Copa do Brasil.
Independente do uso dessa conquista para ilustrar o eterno embate entre o “coitadinho Nordeste” e “Sudeste superior” — afinal, e acima de tudo, não estamos todos na mesma porcaria de barco? —, o título da Copa do Brasil ter caído nas mãos de uma equipe fora do eixo Rio-São Paulo foi, na verdade, um mau negócio para a Globo.
Ou será que, ano que vem, durante a Libertadores, eles não lucrariam bem mais com um time como o Corinthians disputando esta competição?
Acho que precisam complementar drasticamente uma certa entrada na Wikipédia.
P.S. 1: Na edição do Globo Esporte de hoje, 12 de junho, pouco se mostrou e falou sobre a tristeza que tomou a torcida corinthiana. Danilo disse, nos comentários, que rolou buzinaço das torcidas rivais durante a madrugada, sacaneando o clube do Parque São Jorge. Em entrevista após a partida, ainda no campo, o técnico Mano Menezes afirmou que tipos de conquistas como essa repercutem na mídia da seguinte forma: o time vencedor teve todos os méritos, enquanto o perdedor, não. Injusto é o mínimo que se pode dizer sobre uma declaração como esta. O Corinthians fez a sua parte em São Paulo e não jogou mal na Ilha do Retiro; o Sport, no entanto, foi mais time e fez por merecer. É do futebol. Se Menezes quer pagar de coitado e desmerecer a vitória do rival, azar o dele.
P.S. 2: Também nos comentários, o Claudio — de Arapiraca, terra de outro carrasco de mais um time paulista na Copa do Brasil, anos atrás — repassou um link do Blue Bus onde Julio Moreira comenta sobre a falsificação do áudio da partida na transmissão para São Paulo (eu não lembro de ouvir isso por aqui; mas também não lembro de ouvir a torcida do Sport, então…). Apenas 1.000 torcedores do Corinthians estavam presentes no estádio (ah, esses eu vi, espremidos num canto). Ninguém pode questionar a fidelidade dos corinthianos… mas a potência vocal desses mil gato-pingados é de lascar.
junho 12, 2008 7 Comments
Religando a máquina de hype
Cortesia do Pablo Peixoto: ilustração semi-finalizada para a edição #3 do nosso webcomic, BIT HUNTER GIRL.
A versão final, que já está comigo, vocês vêem assim que dermos início a publicação da série.
Quando?
Em algum momento de 2008, pode apostar.
Tá, vocês não acreditam em mim. Paciência. Mas não digam que não avisei, ok?
junho 10, 2008 1 Comment
Troca(n)do
Quem mora nas capitais ou grandes centros urbanos do interior, onde o transporte público é a metáfora mais próxima de um banheiro unisex lotado no inferno, já foi platéia das mais diversas figuras ao usá-lo diariamente: gente vestida de palhaço pedindo para comprar uma ou outra bugiganga, assim elas teriam recursos para continuar visitando os velhinhos nos asilos; vendedores de doces industriais ou artesanais anunciando o produto na base de um discurso em tom de rap ou repente; e desempregados afirmando que, assim como milhões de outros brasileiros, aquela era a sua situação atual e, ao invés de estarem roubando ou matando, estão apenas pedindo.
Claro, você ou ele ali já se comoveu, achou que o sujeito merecia ou estava com tanto mau-hálito que uma balinha cairia bem. Mas quem nunca teve o pé atrás com todo esse povo, que tenha o desgosto de perder dois ônibus e que o terceiro quebre antes de chegar até o ponto onde você está esperando debaixo de chuva!
Por esses dias, Ana confirmou aquilo que você, eu e a sua avó que adora andar de coletivo já sabíamos: tem gente safada demais metida entre esses — na falta de um termo socialmente menos pejorativo — pedintes. Não todos, claro. Enfim…
Três vezes, em dias distintos, mas sempre no ônibus que ela apanha para voltar do trabalho, um menino subiu, com todo aquele discurso de desemprego, e pediu ajuda. O detalhe gritante, o qual seria capaz de dissipar qualquer sentimento de piedade em relação ao moleque: das três vezes, segundo a Ana — e a palavra da minha esposa é Lei & Ordem, vagabundagem —, ele usou nomes diferentes. E nomes diferentes compostos!
Da última vez, Ana não se agüentou e começou a rir sozinha. Eu teria sacado uma ou duas moedas da carteira e dado pra ele, mandando lembranças para seus irmãos gêmeos.
E tem gente que consegue dormir em paz dando trocado para essas cobras criadas, achando que fez a “sua parte”.
junho 4, 2008 2 Comments
Memorial da Ausência
Semana passada, o presidente da toda-poderosa Fundação Palmares, Sr. Zulu Araújo, afirmou para o Jornal Nacional que o Parque Memorial Quilombo dos Palmares estaria em pleno funcionamento no último domingo, dia 1º de junho.
Montado na Serra da Barriga e inaugurado a pouco mais de seis meses, em União dos Palmares, interior do estado de Alagoas, o parque saiu ao custo de, segundo as fontes oficiais, em torno de 2 Milhões de Reais. O que seria o símbolo máximo em homenagem ao Quilombo liderado, em seu auge, por Zumbi, tornou-se objeto de disputa nas esferas municipal, estadual e federal pelo seu gerenciamento.
Apesar dos pesares, e considerando a qualidade dos órgãos políticos de Alagoas e seus gestores, a Fundação Palmares seria uma saída razoável para manter vivo um projeto extremamente importante para a valorização de uma faceta da identidade cultural e social do estado: a negra.
Infelizmente, segundo reportagem do Bom Dia Alagoas de hoje, 3 de junho, o Parque continua a não funcionar.
Em nota, publicada em seu site oficial, a Fundação Palmares contestou a reportagem veiculada pelo Jornal Nacional semana passada, afirmando que o telejornal “preferiu apenas colocar no ar aquilo que mais lhe agradou no rumo já antecipado da reportagem proposta”.
Ainda na nota, Zulu teria explicado, num material não veiculado na TV, “que os projetos prometidos ao Parque, na ocasião da sua inauguração, dependiam da liberação do Orçamento da União, que, por sua vez, dependia da votação do Congresso Nacional. E que somente agora, após a liberação e contigenciamento pelo Ministério do Planejamento, a Fundação Cultural Palmares, responsável pela preservação e manutenção do Parque, estaria apta a iniciar os procedimentos para as atividades propostas”.
Independente dos interesses aos quais a matéria poderia atender — como é questionado no comunicado — e da necessidade da liberação das verbas requisitadas, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, até o presente momento, nada mais é do que o reflexo de obras do tipo realizadas em solo alagoano: fogos de artifício para uma platéia ausente. O que é uma pena.
Soa fantasioso imaginar que, um dia, possamos recomendar, além das praias do nosso belíssimo litoral — provavelmente um dos três mais belos do Nordeste, senão o primeiro lugar entre estes —, pontos de visitação que falem da história e cultura de Alagoas.
E eu não duvido: se União dos Palmares e Zumbi fossem da Bahia, o Memorial seria um tipo de Disneylândia do movimento negro. Devíamos contratá-los para fazer um serviço de consultoria sobre bairrismo por estas bandas, quem sabe.
Aproveite e leia o meu relato sobre os dias em que estive em União dos Palmares, ano passado, e que antecederam a inauguração “oficial” do Memorial.
junho 3, 2008 2 Comments
Independentes em maturação
Premiações podem ser injustas ou mesmo não terem o mérito de ser levadas a sério pelo público e crítica especializada. Algumas delas, no entanto, podem servir de reflexo de um determinado segmento.
Este ano, a vigésima edição do HQ Mix, uma das mais importantes premiações de quadrinhos do país, é o retrato de que há autores brasileiros produzindo e publicando. Algo constatado, como foi observado no blog do coletivo Quarto Mundo, pela criação de novas categorias para materiais independentes e o surgimento de uma categoria para a premiação de webcomics.
Quarto Mundo que, nas 47 categorias do troféu, está participando em 17 delas, somando 34 indicados. Mais do que a merecida comemoração, o grupo se solidifica mais ainda como grande braço indie em terras brasilis. Apesar de novo, vem causando barulho suficiente para si, fomentando a discussão e esboçando o que pode vir a ser, futuramente, um mercado de quadrinistas tupiniquins.
Parabéns ao Quarto Mundo e aos amigos: Felipe Cunha (é, de novo), Hector Lima (Web Quadrinhos - ô nomezinho); Cadu Simões (roteirista revelação, publicação independente de autor - ê, mais um); Leonardo Melo (roteirista revelação, publicação independente de grupo - ô, qual é); e ao Marcus Ramone (articulista de quadrinhos), o nerd mais feliz e zoado de Alagoas por esta e outras ultimamente.
O troféu HQ Mix será no dia 23 de julho, em São Paulo. Boa sorte aos camaradas e demais concorrentes.
maio 28, 2008 3 Comments
Party every day!
Esta semana, a editora virtual Mojo — que tem como proposta, resumindo a grosso modo, transmutar música em ficção — publicou o número um de sua série de histórias em quadrinhos one-shoots sob o selo Mojo Comix.
Se os Mojo Books são livros virtuais inspirados em álbuns de músicos diversos, os Mojo Comix são histórias em quadrinhos virtuais inspiradas em músicas específicas destes artistas do som.
Bela Lugosi’s Dead, história de Leo Martinelli e arte de Raphael Salimena, hq influenciada pela música de mesmo nome da banda Bauhaus, conta com um roteiro criativo e pra lá de divertido, além de uma arte a altura da trama.
Um belo de um número #1.
Bimestralmente, um novo Mojo Comix deve dar as caras no site da editora. E, na lista dos próximos lançamentos, olha só quem está no bolo:
Like cockatoos - The Cure - roteiro e arte de Fabio Cobiaco.
Homem primata - Titãs - roteiro de Ricardo Giassetti e arte de Juarez Ricci.
Rock’n roll all nite - Kiss - roteiro de Pablo Casado e arte de Felipe Cunha.
Foxy lady - Jimi Hendrix - roteiro de Delfin e arte de Terra Arnes.
Strangelove - Depeche Mode - roteiro de Danilo Corci, artista não-confirmado.
Oh, yeah.
Felipe (indicado ao HQ Mix deste ano como desenhista revelação!) e eu em mais uma colaboração; dos nossos projetos em gestação, o segundo a ganhar as vias de fato desde Terra do Nunca Love Song Five — e transmutando uma das músicas mais representativas do rock, da minha banda norte-americana preferida desde os 14 anos.
Quando a hq for publicada, postarei um texto falando sobre o processo de elaboração do roteiro e o seu por que.
No mais, parabéns ao pessoal da Mojo pela iniciativa e ao Ricardo pelo espaço.
maio 27, 2008 5 Comments
Nintendo no seu Firefox
Mais uma desculpa para aproveitar melhor o tempo durante o trabalho: FireNes, uma extensão do Firefox desenvolvida por argentinos e que roda através do Java, com uma porrada de jogos do Nintendo — é, aquele mesmo das antigas.
O único contra, no momento, é que não rola salvar o jogo no meio do caminho. Mas já é uma grande distração.
maio 21, 2008 No Comments

